MTE publica guia para orientar empresas sobre mudanças na NR-1

MTE publica guia para orientar empresas sobre mudanças na NR-1

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) publicou nesta quarta-feira (06) um novo guia de perguntas e respostas com orientações sobre as mudanças da NR-1 — Norma Regulamentadora nº 1, especialmente no que se refere ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e à inclusão dos fatores de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

O material possui caráter orientativo e busca auxiliar empregadores, trabalhadores, profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho, integrantes do SESMT, CIPAs e representações sindicais na compreensão das exigências que entram em vigor em 26 de maio de 2026.

Segundo o MTE, o objetivo do documento é esclarecer dúvidas frequentes sobre a aplicação prática da norma, reforçando que os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho passam a integrar o processo de gerenciamento de riscos das organizações.

O que muda na prática?

Com a atualização da NR-1, as empresas deverão identificar, avaliar e adotar medidas preventivas também para os riscos psicossociais relacionados ao trabalho, como:

  • Assédio moral e sexual;
  • Metas excessivas;
  • Sobrecarga de trabalho;
  • Jornadas exaustivas;
  • Falta de apoio organizacional;
  • Conflitos interpessoais;
  • Pressão excessiva;
  • Violência no trabalho;
  • Baixa autonomia nas atividades.

Esses fatores deverão ser incorporados ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), dentro da lógica do GRO prevista na NR-1.

O novo guia reforça que a gestão dos riscos psicossociais não deve focar apenas no indivíduo, mas principalmente na organização do trabalho e nas condições laborais que podem provocar adoecimento físico e mental.

Documento orienta empregadores e profissionais de SST

Entre os principais pontos abordados no guia estão:

  • Obrigatoriedade de inclusão dos riscos psicossociais no GRO;
  • Responsabilidade das organizações na prevenção;
  • Necessidade de avaliação ergonômica preliminar;
  • Participação dos trabalhadores no processo;
  • Elaboração de planos de ação;
  • Monitoramento das medidas preventivas;
  • Integração entre SST, gestão e recursos humanos.

O documento também esclarece que cabe à própria organização definir os meios técnicos mais adequados para realizar a identificação e avaliação dos riscos, desde que sejam adotadas metodologias coerentes e devidamente documentadas.

Importância da atuação sindical e dos profissionais de SST

Para o SINTESTCE, a publicação do guia representa um avanço importante no debate sobre saúde mental, organização do trabalho e prevenção dos adoecimentos ocupacionais.

A atualização da NR-1 amplia o papel estratégico dos profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho, especialmente dos Técnicos de Segurança do Trabalho, que passam a atuar de forma ainda mais integrada na identificação de fatores organizacionais capazes de gerar adoecimento, acidentes e sofrimento psíquico.

Além disso, reforça a importância da atuação das CIPAs, SESMTs e representações sindicais na construção de ambientes laborais mais seguros, saudáveis e humanizados.

Materiais oficiais do MTE sobre a NR-1

O SINTESTCE reforça a importância de que profissionais de SST, empregadores, trabalhadores e representações sindicais estudem os materiais publicados pelo MTE, fortalecendo a prevenção, a promoção da saúde mental e a construção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.